segunda-feira, 18 de março de 2013

AUTISMO - MITOS E VERDADES



O Mito: os autistas têm mundo próprio.
A Verdade: os autistas têm dificuldades de comunicação, mas mundo próprio de jeito nenhum. O duro é que se comunicar é difícil para eles, nós não entendemos, acaba nossa paciência e os conflitos vêm. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas acaba com estes conflitos.

O Mito: Os autistas são superinteligentes.
A Verdade: assim como as pessoas normais, os autistas têm variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de retardo mental.

O Mito: os autistas não gostam de carinho.
A Verdade: todos gostam de carinho, com os autistas não é diferente. Acontece que alguns têm dificuldades com relação à sensação tátil, podem sentir-se sufocados com um abraço por exemplo. Nestes casos deve-se ir aos poucos, querer um abraço eles querem, a questão é entender as sensações. Procure avisar antes que vai abraça-lo, prepare-o primeiro por assim dizer. Com o tempo esta fase será dispensada. O carinho faz bem para eles como faz para nós.

O Mito: Os autistas gostam de ficar sozinhos.
A Verdade: os autistas gostam de estar com os outros, principalmente se sentir-se bem com as pessoas, mesmo que não participem, gostam de estar perto dos outros. Podem às vezes estranhar quando o barulho for excessivo, ou gritar em sinal de satisfação, quando seus gritos não são compreendidos, muitas vezes pensamos que não estão gostando. Tente interpretar seus gritos.

O Mito: Eles são assim por causa da mãe ou porque não são amados.
A Verdade: o autismo é um distúrbio neurológico, pode acontecer em qualquer família, religião etc. A maior parte das famílias em todo o mundo tendem a mimá-los e superprotegê-los, são muito amados, a teoria da mãe geladeira foi criada por ignorância, no início do século passado e foi por terra pouco tempo depois. É um absurdo sem nexo.

O Mito: os autistas não gostam das pessoas.
A Verdade: os autistas amam sim, só que nem sempre sabem demonstrar isto. Os problemas e dificuldades de comunicação deles os impedem de ser tão carinhosos ou expressivos, mas acredite que mesmo quietinho, no canto deles, eles amam sim, sentem sim, até mais que os outros.

O Mito: os autistas não entendem nada do que está acontecendo.
A Verdade: os autistas podem estar entendendo sim, nossa medida de entendimento se dá pela fala, logo se a pessoa não fala, acreditamos não estar entendendo, mas assim como qualquer criança que achamos não estar prestando atenção, não estar entendendo, de repente a criança vem com uma tirada qualquer e vemos que ela não perdeu nada do que se falou, o autista só tem a desvantagem de não poder falar. Pense bem antes de falar algo perto deles.

O Mito: O certo é interná-lo, afinal numa instituição saberão como cuidá-lo.
A Verdade: Toda a criança precisa do amor de sua família, a instituição pode ter terapeutas, médicos, mas o autista precisa de mais do que isto, precisa de amor, de todo o amor que uma família pode dar, as terapias fazem parte, uma mãe, um pai ou alguém levá-lo e trazê-lo também.

O Mito: Ele grita, esperneia porque é mal educado
A Verdade: o autista não sabe se comunicar, tem medos, tem dificuldades com o novo, prefere a segurança da rotina, então um caminho novo, a saída de um brinquedo leva-os a tentar uma desesperada comunicação, e usam a que sabem melhor, gritar e espernear. Nós sabemos que isto não é certo, mas nos irritamos, nos preocupamos com olhares dos outros, às vezes até ouvimos aqueles que dizem que a criança precisa apanhar, mas nada disto é necessário, se desse certo bater, todo o burro viraria doutor! Esta fase de gritar e espernear passa, é duro, mas passa. Mesmo que pareça que ele não entenda, diga antes de sair que vai por ali, por aqui etc. e seja firme em suas decisões. Não ligue para os olhares dos outros, você tem mais o que fazer. Não bata na criança, isto não ajudará em nada, nem a você e nem a ele. Diga com firmeza que precisa ir embora por exemplo, e mantenha-se firme por fora, por mais difícil que seja. Esta fase passa, eles precisarão ser a firmeza do outro.

domingo, 17 de março de 2013

Autismo - Conscientização - Vídeo da Turma da Mônica


♫ Algum Dia ♫


Conheça o Autismo

 
O que é: 
O autismo é uma síndrome comportamental que causa comprometimentos no relacionamento e interação com outras pessoas, na linguagem e apresenta comportamentos restritos e repetitivos.
Sinais de autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade. A desordem é entre duas e quatro vezes, mais comum em meninos do que em meninas (por isso a cor que o simboliza é o azul). Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamado transtorno global do desenvolvimento (TGD), também conhecido como transtorno invasivo do desenvolvimento (TID). Mais recentemente usou-se o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA) para englobar o Autismo, a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação.
O grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental.
Atualmente, o autismo é uma área de intenso interesse, em que diferentes estudos se estabelecem e promovem desde alterações conceituais até modificações terapêuticas de fundamental importância.
Em 18 de dezembro de 2007, a Organização das Nações Unidas decretou todo 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Em 2008 houve a primeira comemoração da data pela ONU. Em 2010, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. O aumento dos números de prevalência de autismo levanta uma discussão importante sobre haver ou não uma epidemia da síndrome no planeta, ainda em discussão pela comunidade científica. No Brasil, foi realizado o primeiro estudo de epidemiologia de autismo da América Latina, publicado em fevereiro de 2011—com dados de 2010-, que aferiu a prevalência de um caso de autismo para cada 368 crianças de 7 a 12 anos. Outros estudos estão em andamento no Brasil.
Características:
O autismo é caracterizado por diversos distúrbios:
• de percepção, como por exemplo dificuldades para entender o que ouve;
• de desenvolvimento, principalmente nas esferas motoras, da linguagem e social;
• de relacionamento social, expresso principalmente através do olhar, da ausência do sorriso social, do movimento antecipatório e do contato físico;
• de fala e de linguagem que variam do mutismo total: à inversão pronominal (utilização do você para referir-se a si próprio), repetição involuntária de palavras ou frases que ouviu (ecocalia); e
• movimento caracterizado por maneirismos e movimentos estereotipados.
Sinais de alerta:
A criança prefere ficar sozinha. Quando deixada deitada no berço ela não reclama, parece preferir o berço ao colo dos pais.
Crianças sem autismo geralmente imitam os adultos e querem todas as atenções voltadas para ela, já as crianças com sinais de autismo não acompanham os acontecimentos a sua volta.
Crianças de cerca de um ano com autismo vão de colo em colo e não estranham as pessoas, como seria esperado de uma criança nesta idade.
Ficam horas fazendo o mesmo movimento, com o mesmo objeto, sem finalidade aparente, um dos mais comuns é ficar rodando um objeto.
Apresentam reações anormais às sensações. As funções ou áreas mais afetadas são: visão, audição, tato, dor, equilíbrio, olfato, gustação e maneira de manter o corpo.
A criança pode apresentar movimentos corporais repetidos, como movimentos de balanço, às vezes, até de forma violenta. Além disso, o transtorno pode vir acompanhado de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo: fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade).
Ainda não existe um exame complementar, laboratorial ou de imagens, para diagnosticar o autismo infantil. Ele ainda é identificado através de exames clínicos. É fundamental que pessoas que trabalham e convivem com crianças saibam identificar sinais ou sintomas típicos de autismo em bebês ou crianças pequenas. Cerca de 60% das crianças com autismo apresentam sinais da doença ao nascer.
Uma vez identificado que o processo de desenvolvimento está alterado, a criança deve ser examinada por um especialista (pediatra, psiquiatra infantil, neurologista infantil) para que o diagnóstico seja feito e os tratamentos reconhecidamente eficazes sejam instituídos.
Os sintomas de autismo geralmente persistem ao longo de toda a vida.
O diagnóstico precoce e a implantação correta dos tratamentos resultarão em significativa melhoria no desenvolvimento infantil e na qualidade de vida da criança e de seus familiares.
Causas:
As causas do autismo são desconhecidas. Problemas cromossômicos, gênicos, metabólicos e mesmo doenças transmitidas/adquiridas durante a gestação, durante ou após o parto, podem estar associados diretamente ao autismo. Entre 75 a 80% das crianças autistas apresentam algum grau de retardo mental, que pode estar relacionado aos mais diversos fatores biológicos. Portanto, a evidência de que o autismo tem suas causas em fatores biológicos é indiscutível, fazendo-nos reconsiderar os estudos iniciais que consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo.
Tratamento:
Hoje, o tratamento do autismo não se prende a uma única terapêutica. O uso de medicamentos, que antes desempenhava um papel de fundamental importância no tratamento (devido à crença da relação do autismo com os quadros psicóticos do adulto), passa a ter a função de apenas aliviar os sintomas do autista para que outras abordagens, como a reabilitação e a educação especial, possam ser adotadas e tenham resultados eficazes.
Mitos:
Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam; isto não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela necessariamente está desinteressada nessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. Pode ser que essa criança simplesmente tenha dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa. Outro mito comum é de que quando se fala em uma pessoa autista geralmente se pensa em uma pessoa retardada ou que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe alguma). Problemas na inteligência geral ou no desenvolvimento de linguagem, em alguns casos, pode realmente estar presente, mas como dito acima nem todos são assim. Às vezes é difícil definir se uma pessoa tem um déficit intelectivo se ela nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. Na verdade, alguns indivíduos com autismo possuem inteligência acima da média.
É relevante salientar que essas informações devem ser utilizadas apenas como referência. Além de destacar a importância do diagnóstico precoce, "porque quanto mais cedo é identificado um transtorno, mais rápido o curso normal do desenvolvimento pode ser retomado. Porém os resultados dependem não somente da identificação dos atrasos e da indicação dos tratamentos adequados e eficazes, mas da aceitação dessa condição diferenciada pelas famílias e pelo futuro de cada um, que não dominamos nem sabemos", segundo o psiquiatra da infância e adolescência Walter Camargos Jr.

Conheça o autismo, para ele ainda não há cura, mas para a deficiência do Desconhecimento já existe!

Mada '

* Informações extraídas de minhas pesquisas e leituras em sites da internet, conversas com profissionais, observação do meu neto, Tarcísio, livros e revistas.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quem desconhece não sabe - Autismo: conheça para aprender

É incrível como o ser humano consegue acreditar que sabe tudo, conhece tudo e é capaz de julgar... Especialmente nestes últimos dias tenho me deparado quase que diariamente com situações em que observo e sinto na pele o que a falta de conhecimento e arrogância, muitas vezes, são capazes de ferir e atrapalhar a solução de muitas coisas. Não tenho o objetivo de "julgar" estas atitudes, porque infelizmente, todos nós, eu acredito, somos um pouco ou muito assim, da forma que descrevi no início deste texto: "pretensos conhecedores de tudo e opinadores sem argumento", apenas quero compartilhar esta crítica que também tenho feito a mim mesma. Sou mãe, professora, mais recentemente avó e em função do meu neto, tenho aprendido de forma muito peculiar, uma infinidade de coisas que antes disso jamais poderia imaginar, ou até mesmo me interessar em conhecer mais. E aí reafirmo a minha teoria de que o motor da aprendizagem é a necessidade. Quando se precisa aprender alguma coisa, quando sentimos uma necessidade que incomoda, que precisa de solução, vamos atrás dos recursos possíveis e inimagináveis para solucionar. Este mais uma vez foi o meu caso. Por volta de um mês recebemos o diagnóstico de que meu neto está no espectro autista. Quando a neuropediatra mencionou a palavra, após o relato que fizemos de seu comportamento e desenvolvimento, lembrei de algumas coisas que li e vi no curso de magistério e na faculdade de pedagogia. Lembrei de teorias antigas que conferiam sua causa a falta de afetividade da mãe, lembrei dos movimentos repetitivos que eles fazem, lembrei da frase: "eles vivem no mundo deles" e que por esse motivo tinham comportamentos estranhos e alguns prejuízos no desenvolvimento. Bem, imediatamente recorri a internet e busquei das fontes que julguei mais seguras o maior número de informações, em princípio para descartar a possibilidade, mas quanto mais eu lia, mais eu me convencia de que era isso mesmo que estava acontecendo com o meu neto. Então após levar outros exames e sair do consultório da neuro dias depois, com o diagnóstico, comecei a devorar tudo que podia sobre o assunto: leituras, artigos, depoimentos, vídeos, trocas de informações com mães de autistas, outros profissionais, fiquei e talvez esteja, obcecada pelo tema. Mas com isto, comecei a conhecer um mundo novo, a reconhecer que muito do que pensamos "saber" está muito longe do que realmente é. Muitos mitos existem e muita fantasia também. E por este motivo, não posso "julgar" ninguém. O autismo é algo muito misterioso até mesmo no meio científico (pelo que tenho de informações)nem mesmo o diagnóstico preciso é algo fácil, muito menos a sua causa. Os comportamentos e o desenvolvimento de um autista dependem de muitos fatores e especialmente de como cada indivíduo reage aos tratamentos e terapias. Até onde sei, e nos foi dito pela neuro, não devemos criar muitas expectativas, mas que devemos comemorar cada avanço, e isto, como toda família coruja, já vínhamos fazendo. Enfim, fico pensando hoje, lembrando do seu comportamento desde o nascimento e penso que se eu conhecesse um pouco mais teria entendido antes. Mesmo assim, acredito que foi precoce que temos um longo caminho pela frente, mas já temos algumas vantagens. Com este novo aprendizado, também estou aprendendo e conhecendo uma forma diferente de preconceito, de julgamento precipitado e algumas vezes da insegurança que a falta de conhecimento gera quando meu neto precisa de algum atendimento. Tenho que explicar para as pessoas que deveriam saber, já que tratam da saúde, o comportamento do meu neto e as suas causas. Não tenho como não ficar triste, quando chego com meu neto em uma unidade de pronto atendimento e/ou hospital e primeiro tenho que passar pelo crivo da desconfiança. Pensam que a criança está machucada por displicência. Pensam que eu humanamente poderia ter evitado que ele se machucasse. Desconhecem que autistas têm comportamentos e movimentos que eles não sabem controlar e que se machucam por isso, jogam a cabeça, como o meu neto e batem no chão vindo a provocar fratura. Não entendem que ficamos em desespero, nos culpando sim, mas sabendo que estamos tentando de tudo para que isso não aconteça. Não tenho como amarrar meu neto, enfaixar e deixar em uma cama. Eu preciso que ele se movimente, isto faz com ele descubra outros espaços e aprenda a andar, mas este simples gesto para uma criança "comum" é brincadeira, para um autista, nestas condições é um perigo constante. Fico divida entre a dor de vê-lo machucado e os problemas que isso pode causar e a satisfação e alegria em vê-lo explorar a casa e os ambientes. Estou desesperadamente em busca de algo que lhe proporcione segurança, até que ele aprenda a controlar esse movimento, principalmente. Nos últimos dias não tenho pedido outra coisa a Deus a não ser que faça com que ele não bata mais a cabeça. Desde sexta-feira estive correndo em pronto atendimentos e hospitais de Vacaria e Caxias do Sul para que fizessem uma tomografia nele para ver se não havia nenhum trauma interno, já que externamente está muito inchada e machucada a cabecinha dele. Enfim ontem as cinco da tarde recebi o laudo da tomografia dizendo que estava tudo bem e que a fratura não causaria problema algum. Fiquei aliviada por aquele momento, mas persiste a preocupação e pesquisa sobre que forma vou garantir que isso não se repita. Ele está muito nervoso, sem poder se experimentar pelo chão, sem tentar se erguer se segurando nos móveis. Agora volto a correr atrás de mais informações, de mais conhecimento e sonho que a gente consiga buscar "saber" mais antes que a necessidade chegue a nossa porta e que a gente não precise sair numa corrida desesperada contra o tempo.

sábado, 6 de outubro de 2012

Desabafo

Faz tempo que venho ouvindo alguns comentários e queixas de pais e professores sobre os adolescentes e crianças dessa geração. Faço parte desse grupo, como mãe e por trabalhar também com essa faixa etária, tenho meus dilemas, dúvidas, frustrações e pontos de vista. Na verdade tudo que se estuda é mínimo para ser capaz de algum dia decifrar todas as formas de expressão e manifestação de um ser tão complexo como o humano, mas a partir das minhas diversas leituras, observações do cotidiano, análise da minha própria educação e vida e do desenvolvimento de meus filhos e demais pessoas que conheço, posso tirar algumas conclusões. Uma das maiores queixas dos professores é de que o insucesso escolar e a falta de “respeito” dos adolescentes e crianças, com os pais, professores e tudo mais, seria pela falta de limites, pelo descaso ou pouca participação e cobrança da família. Não discordo, mas também não concordo de todo. Creio que todos somos responsáveis por tudo que está acontecendo, mas não creio que o “erro” em si, seja a organização familiar. As famílias já eram desestruturadas há muito tempo, talvez encobertas com mentiras e hipocrisia que nos feriam, ao vermos os problemas e eles serem negados, nossas mães sofriam com o machismo, muitos passaram por abuso de várias formas, existiam doentes e dependentes nas famílias, tínhamos problemas financeiros, havia traições, homossexualismo, enfim, tudo que hoje é apontado como vilões e destruidores da antiga “sociedade perfeita”. Um menor número de mães trabalhava fora de casa, era mais fácil observar e controlar os filhos, mas nem sempre da maneira mais correta e eficiente. Não havia preocupação com exigir, responsabilizar e cobrar, nem em traumatizar. Os adolescentes de hoje, não são mais vítimas do medo pelo qual a geração dos pais passou e tanto lutou. Lutamos por democracia, por liberdade de expressão e pensamento, quisemos ter uma nova geração crítica, destemida, criativa e de alguma forma hoje temos isso, mas olhamos com maus olhos, apontamos e criticamos. Assim como criticamos a Educação que recebemos, opressora, rígida, punitiva, excludente. Dissemos que pouco aprendemos, que pouco pensamos, que tudo era imposto, que não nos proporcionaram pensar, criar, produzir, lutamos para uma educação mais humana, afetuosa que privilegiasse o pensamento, a inclusão. Então me pergunto: Não era bem isso que queríamos? E respondo: Não! Enquanto tentávamos criar um novo sistema educacional familiar e institucional, nos perdemos muitas vezes, de alguma forma algumas coisas fundamentais foram abandonadas ou negligenciadas. Nunca vimos pais mais carinhosos, trabalhadores como hoje, se desdobrando para fazer e dar o melhor para os filhos. Nunca a infância e a adolescência foram tão investigadas e investidas em todos os setores, aliás, antes nem era considerada existente. Nunca professores pensaram tanto em planejar aulas pensando no aluno. E nunca se viu tanta desconsideração quanto a isso tudo. Talvez tenhamos poupado demais nossas crianças e adolescentes, por excesso de amor e atenção e com isso tenhamos formado crianças e adolescentes mais irresponsáveis, sem ter pelo que lutar e sem respeito a muitas coisas, individualistas, consumistas, porque nunca permitimos que sentissem falta, NECESSIDADE, como sentimos em muitos aspectos da educação da nossa geração. Não há como recriar essa geração! Mas há como trabalhar com as próximas. Há como aproveitar as coisas boas que implantamos nessa geração. Há como não ficarmos lamentando os “erros” cometidos e especialmente, deixarmos de nos culpar. As famílias são, basicamente, como sempre foram. Agora mais abertas às relações e com posicionamentos mais claros. Há que se ter respeito por todas elas, entender que nunca foram e não serão iguais. Graças a Deus! Há que se entender e aceitar que educar não trás resultados imediatos, que não somos perfeitos também, que podemos plantar a sementinha do nosso pensamento da melhor forma de educar, que não sabemos se será a mais correta, e esperar germinar, crescer, florir. Há que não se comparar gerações e nem pessoas da mesma geração, nem irmãos gêmeos podem ser comparados. Somos únicos, complexos e DIFERENTES. Tenho me consolado como mãe e educadora aprendendo a respeitar meu limite e o do outro, das famílias, dos alunos, da minha família, dos meus filhos. Até porque vejo, analisando o passado, o que julgamos um “erro” hoje, podem se tornar acertos amanhã. A única certeza que tenho é que não construo casas, onde posso escolher e testar a segurança dos materiais antes de usar. Trabalho com seres humanos complexos com potencialidades e limitações, assim como humanamente imperfeita, também sou. Mas procuro fazer e dar o melhor de mim todos os dias, tentando observar rapidamente os “erros” que cometo ou observo e me perdoar por eles, porque sei que quando erro é tentando acertar, é doando o melhor que sei e que tenho naquele momento e nunca por omissão premeditada. Mada' 06/10/12

segunda-feira, 4 de junho de 2012

É amor?

Só poderei dizer que é AMOR, Se antes tiver passado pela prova do perdão. O amor enxerga com bons olhos, Consegue ver além e adiante, Vê o bem e o melhor. Alguns chamariam isso ilusão. Eu chamaria apenas de fé. O amor confia naquilo que não se vê. Mesmo que todas as circunstâncias mostrem o contrário. Ele não se abala. Ele se fortalece, sobrevive à seca, ao temporal. E cresce sem qualquer possibilidade natural Porque é amor Não precisa justificativas, entendimentos, razão. É livre, liberto. Encontra seu espaço, vence todas as barreiras, inclusive, da compreensão. Eu não perdoo porque descobri a verdade, ou esqueci a ofensa. Perdoo porque amo e verdadeiramente AMO a quem perdoo. мα∂α' 04/06/12