domingo, 17 de fevereiro de 2013
Quem desconhece não sabe - Autismo: conheça para aprender
É incrível como o ser humano consegue acreditar que sabe tudo, conhece tudo e é capaz de julgar...
Especialmente nestes últimos dias tenho me deparado quase que diariamente com situações em que observo e sinto na pele o que a falta de conhecimento e arrogância, muitas vezes, são capazes de ferir e atrapalhar a solução de muitas coisas.
Não tenho o objetivo de "julgar" estas atitudes, porque infelizmente, todos nós, eu acredito, somos um pouco ou muito assim, da forma que descrevi no início deste texto: "pretensos conhecedores de tudo e opinadores sem argumento", apenas quero compartilhar esta crítica que também tenho feito a mim mesma.
Sou mãe, professora, mais recentemente avó e em função do meu neto, tenho aprendido de forma muito peculiar, uma infinidade de coisas que antes disso jamais poderia imaginar, ou até mesmo me interessar em conhecer mais. E aí reafirmo a minha teoria de que o motor da aprendizagem é a necessidade. Quando se precisa aprender alguma coisa, quando sentimos uma necessidade que incomoda, que precisa de solução, vamos atrás dos recursos possíveis e inimagináveis para solucionar. Este mais uma vez foi o meu caso.
Por volta de um mês recebemos o diagnóstico de que meu neto está no espectro autista. Quando a neuropediatra mencionou a palavra, após o relato que fizemos de seu comportamento e desenvolvimento, lembrei de algumas coisas que li e vi no curso de magistério e na faculdade de pedagogia. Lembrei de teorias antigas que conferiam sua causa a falta de afetividade da mãe, lembrei dos movimentos repetitivos que eles fazem, lembrei da frase: "eles vivem no mundo deles" e que por esse motivo tinham comportamentos estranhos e alguns prejuízos no desenvolvimento.
Bem, imediatamente recorri a internet e busquei das fontes que julguei mais seguras o maior número de informações, em princípio para descartar a possibilidade, mas quanto mais eu lia, mais eu me convencia de que era isso mesmo que estava acontecendo com o meu neto. Então após levar outros exames e sair do consultório da neuro dias depois, com o diagnóstico, comecei a devorar tudo que podia sobre o assunto: leituras, artigos, depoimentos, vídeos, trocas de informações com mães de autistas, outros profissionais, fiquei e talvez esteja, obcecada pelo tema. Mas com isto, comecei a conhecer um mundo novo, a reconhecer que muito do que pensamos "saber" está muito longe do que realmente é. Muitos mitos existem e muita fantasia também.
E por este motivo, não posso "julgar" ninguém. O autismo é algo muito misterioso até mesmo no meio científico (pelo que tenho de informações)nem mesmo o diagnóstico preciso é algo fácil, muito menos a sua causa. Os comportamentos e o desenvolvimento de um autista dependem de muitos fatores e especialmente de como cada indivíduo reage aos tratamentos e terapias. Até onde sei, e nos foi dito pela neuro, não devemos criar muitas expectativas, mas que devemos comemorar cada avanço, e isto, como toda família coruja, já vínhamos fazendo.
Enfim, fico pensando hoje, lembrando do seu comportamento desde o nascimento e penso que se eu conhecesse um pouco mais teria entendido antes. Mesmo assim, acredito que foi precoce que temos um longo caminho pela frente, mas já temos algumas vantagens.
Com este novo aprendizado, também estou aprendendo e conhecendo uma forma diferente de preconceito, de julgamento precipitado e algumas vezes da insegurança que a falta de conhecimento gera quando meu neto precisa de algum atendimento. Tenho que explicar para as pessoas que deveriam saber, já que tratam da saúde, o comportamento do meu neto e as suas causas.
Não tenho como não ficar triste, quando chego com meu neto em uma unidade de pronto atendimento e/ou hospital e primeiro tenho que passar pelo crivo da desconfiança. Pensam que a criança está machucada por displicência. Pensam que eu humanamente poderia ter evitado que ele se machucasse. Desconhecem que autistas têm comportamentos e movimentos que eles não sabem controlar e que se machucam por isso, jogam a cabeça, como o meu neto e batem no chão vindo a provocar fratura. Não entendem que ficamos em desespero, nos culpando sim, mas sabendo que estamos tentando de tudo para que isso não aconteça. Não tenho como amarrar meu neto, enfaixar e deixar em uma cama. Eu preciso que ele se movimente, isto faz com ele descubra outros espaços e aprenda a andar, mas este simples gesto para uma criança "comum" é brincadeira, para um autista, nestas condições é um perigo constante. Fico divida entre a dor de vê-lo machucado e os problemas que isso pode causar e a satisfação e alegria em vê-lo explorar a casa e os ambientes.
Estou desesperadamente em busca de algo que lhe proporcione segurança, até que ele aprenda a controlar esse movimento, principalmente. Nos últimos dias não tenho pedido outra coisa a Deus a não ser que faça com que ele não bata mais a cabeça.
Desde sexta-feira estive correndo em pronto atendimentos e hospitais de Vacaria e Caxias do Sul para que fizessem uma tomografia nele para ver se não havia nenhum trauma interno, já que externamente está muito inchada e machucada a cabecinha dele. Enfim ontem as cinco da tarde recebi o laudo da tomografia dizendo que estava tudo bem e que a fratura não causaria problema algum. Fiquei aliviada por aquele momento, mas persiste a preocupação e pesquisa sobre que forma vou garantir que isso não se repita. Ele está muito nervoso, sem poder se experimentar pelo chão, sem tentar se erguer se segurando nos móveis.
Agora volto a correr atrás de mais informações, de mais conhecimento e sonho que a gente consiga buscar "saber" mais antes que a necessidade chegue a nossa porta e que a gente não precise sair numa corrida desesperada contra o tempo.
sábado, 6 de outubro de 2012
Desabafo
Faz tempo que venho ouvindo alguns comentários e queixas de pais e professores sobre os adolescentes e crianças dessa geração. Faço parte desse grupo, como mãe e por trabalhar também com essa faixa etária, tenho meus dilemas, dúvidas, frustrações e pontos de vista.
Na verdade tudo que se estuda é mínimo para ser capaz de algum dia decifrar todas as formas de expressão e manifestação de um ser tão complexo como o humano, mas a partir das minhas diversas leituras, observações do cotidiano, análise da minha própria educação e vida e do desenvolvimento de meus filhos e demais pessoas que conheço, posso tirar algumas conclusões.
Uma das maiores queixas dos professores é de que o insucesso escolar e a falta de “respeito” dos adolescentes e crianças, com os pais, professores e tudo mais, seria pela falta de limites, pelo descaso ou pouca participação e cobrança da família. Não discordo, mas também não concordo de todo. Creio que todos somos responsáveis por tudo que está acontecendo, mas não creio que o “erro” em si, seja a organização familiar. As famílias já eram desestruturadas há muito tempo, talvez encobertas com mentiras e hipocrisia que nos feriam, ao vermos os problemas e eles serem negados, nossas mães sofriam com o machismo, muitos passaram por abuso de várias formas, existiam doentes e dependentes nas famílias, tínhamos problemas financeiros, havia traições, homossexualismo, enfim, tudo que hoje é apontado como vilões e destruidores da antiga “sociedade perfeita”. Um menor número de mães trabalhava fora de casa, era mais fácil observar e controlar os filhos, mas nem sempre da maneira mais correta e eficiente. Não havia preocupação com exigir, responsabilizar e cobrar, nem em traumatizar.
Os adolescentes de hoje, não são mais vítimas do medo pelo qual a geração dos pais passou e tanto lutou. Lutamos por democracia, por liberdade de expressão e pensamento, quisemos ter uma nova geração crítica, destemida, criativa e de alguma forma hoje temos isso, mas olhamos com maus olhos, apontamos e criticamos.
Assim como criticamos a Educação que recebemos, opressora, rígida, punitiva, excludente. Dissemos que pouco aprendemos, que pouco pensamos, que tudo era imposto, que não nos proporcionaram pensar, criar, produzir, lutamos para uma educação mais humana, afetuosa que privilegiasse o pensamento, a inclusão.
Então me pergunto: Não era bem isso que queríamos? E respondo: Não!
Enquanto tentávamos criar um novo sistema educacional familiar e institucional, nos perdemos muitas vezes, de alguma forma algumas coisas fundamentais foram abandonadas ou negligenciadas.
Nunca vimos pais mais carinhosos, trabalhadores como hoje, se desdobrando para fazer e dar o melhor para os filhos. Nunca a infância e a adolescência foram tão investigadas e investidas em todos os setores, aliás, antes nem era considerada existente. Nunca professores pensaram tanto em planejar aulas pensando no aluno. E nunca se viu tanta desconsideração quanto a isso tudo. Talvez tenhamos poupado demais nossas crianças e adolescentes, por excesso de amor e atenção e com isso tenhamos formado crianças e adolescentes mais irresponsáveis, sem ter pelo que lutar e sem respeito a muitas coisas, individualistas, consumistas, porque nunca permitimos que sentissem falta, NECESSIDADE, como sentimos em muitos aspectos da educação da nossa geração.
Não há como recriar essa geração! Mas há como trabalhar com as próximas. Há como aproveitar as coisas boas que implantamos nessa geração. Há como não ficarmos lamentando os “erros” cometidos e especialmente, deixarmos de nos culpar.
As famílias são, basicamente, como sempre foram. Agora mais abertas às relações e com posicionamentos mais claros. Há que se ter respeito por todas elas, entender que nunca foram e não serão iguais. Graças a Deus! Há que se entender e aceitar que educar não trás resultados imediatos, que não somos perfeitos também, que podemos plantar a sementinha do nosso pensamento da melhor forma de educar, que não sabemos se será a mais correta, e esperar germinar, crescer, florir. Há que não se comparar gerações e nem pessoas da mesma geração, nem irmãos gêmeos podem ser comparados. Somos únicos, complexos e DIFERENTES.
Tenho me consolado como mãe e educadora aprendendo a respeitar meu limite e o do outro, das famílias, dos alunos, da minha família, dos meus filhos. Até porque vejo, analisando o passado, o que julgamos um “erro” hoje, podem se tornar acertos amanhã.
A única certeza que tenho é que não construo casas, onde posso escolher e testar a segurança dos materiais antes de usar. Trabalho com seres humanos complexos com potencialidades e limitações, assim como humanamente imperfeita, também sou. Mas procuro fazer e dar o melhor de mim todos os dias, tentando observar rapidamente os “erros” que cometo ou observo e me perdoar por eles, porque sei que quando erro é tentando acertar, é doando o melhor que sei e que tenho naquele momento e nunca por omissão premeditada.
Mada' 06/10/12
segunda-feira, 4 de junho de 2012
É amor?
Só poderei dizer que é AMOR,
Se antes tiver passado pela prova do perdão.
O amor enxerga com bons olhos,
Consegue ver além e adiante,
Vê o bem e o melhor.
Alguns chamariam isso ilusão.
Eu chamaria apenas de fé.
O amor confia naquilo que não se vê.
Mesmo que todas as circunstâncias mostrem o contrário.
Ele não se abala.
Ele se fortalece, sobrevive à seca, ao temporal.
E cresce sem qualquer possibilidade natural
Porque é amor
Não precisa justificativas, entendimentos, razão.
É livre, liberto.
Encontra seu espaço, vence todas as barreiras, inclusive, da compreensão.
Eu não perdoo porque descobri a verdade, ou esqueci a ofensa.
Perdoo porque amo e verdadeiramente AMO a quem perdoo.
мα∂α' 04/06/12
terça-feira, 25 de outubro de 2011
A dor de quem vai
Quando se ouve a notícia de uma separação surgem inúmeros questionamentos vindos da incompreensão sobre as causas do rompimento, por parte de quem conviveu com o casal, familiares e amigos, e principalmente por quem foi deixado.
Todos se compadecem do deixado e raramente percebem a dor de quem vai. Não existe como comparar, mas ambos sofrem, e me arrisco a dizer que quem deixou sofre mais, porque sofre antes. Enquanto todos acreditam que está tudo bem, quem deixa está sofrendo há muito tempo. É uma dúvida constante, são reflexões e análises internas, para tentar encontrar uma saída que não seja o rompimento e que minimizem a dor dos demais.
Existe a ilusão de que quem deixa é o que se sente melhor, mas não é. No meu caso foram quatro anos até estar certa de que a melhor saída era a separação. E isso não foi fácil nenhum dia e ainda não é.
Todos os problemas subsequentes: a dor de ver o outro e a família sofrendo, a dor da incompreensão e da desconfiança, são martirizantes.
Até decidir pela separação passei muitas noites rezando muito, eu queria muito que não chegasse ao final. Eu fui feliz e não entendia porque não era mais. O que havia mudado em mim ou no outro que havia gerado aquele estado de insatisfação e de infelicidade?
Quando se toma a decisão é porque chegou um momento que não há mais como suportar. Eu não entendia o porquê de tudo estar acontecendo tanto quanto qualquer outro. Eram os meus sonhos e meus projetos que não tinham mais sentido. Parece fútil e egoísta dizer isso. Então a gente procura várias explicações, começa a colocar defeitos no outro, em si mesmo, até se dar conta da “naturalidade” do fato: o AMOR acabou. Até porque num casamento longo como considero que o meu tenha sido, quase dezessete anos, muitos problemas foram enfrentados e vencidos e porque agora que tudo parecia bem, teve que acabar?
Então você pensa em cada momento feliz, em cada conquista, nos grupos a que você pertence, em todas as perdas que isso gera. Mesmo assim você sabe que nada pode lhe manter VIVO na relação.
Normalmente as pessoas custam para entender que não há possibilidade de manter qualquer relacionamento sem amor, apenas pelo hábito. Se alguém consegue, se nossos antepassados conseguiam, eu tiro o meu chapéu, porque é como se sentir enterrado vivo.
É um processo muito longo e triste. Existem várias etapas a serem vencidas. Primeiro pela própria tomada de decisão, onde é preciso ser forte para não ceder às chantagens e críticas e ao mesmo tempo tolerância, afinal as pessoas só querem o teu bem. Algumas vezes o outro se torna um carrasco, não teve tempo para a assimilação então fica rude e malvado, precisa culpar alguém, esse alguém é você. Faz de tudo para boicotar qualquer possibilidade que você tenha de alegria longe dele.
Segundo, você fica perdido, se afasta dos grupos a que pertencia, porque tudo que você não quer é falar sobre o assunto, afinal ele já vinha martelando na sua cabeça há tanto tempo. Você quer algo novo que te tire desse luto. E isso não precisa ser um novo amor ou aventura, mas qualquer coisa que te livre daquela rotina. Também é preciso ser forte para vencer a solidão e reagir ao estado de inanição.
Terceiro você se sente culpado por todos os problemas que surgem da sua decisão, que envolve mudanças de hábitos daqueles que dependem de você, mas que não tiveram nada a ver com a sua decisão. Mesmo sendo uma mulher independente, organizada e que sempre tomou conta de todas as finanças da casa isso se torna um peso, afinal o outro vai estar lhe boicotando também. A falta de contribuição é a primeira arma usada. Aí você precisa ter muito jogo de cintura. E você perde muito, porque acaba tirando ainda mais de si para que não falte muito para os demais.
Depois de quase três anos dando explicações e tentando “convencer” as pessoas de que o acontecido não teria volta, e de que eu não estava louca, as coisas começam a se organizar.
É preciso muita paciência, compreensão, diálogo, respeito pelos seus sentimentos e pelos dos outros, para não transformar uma história bonita com um final trágico e ainda mais doloroso.
Mais uma vez eu aprendi que nada como o tempo para colocar toda a desordem em um novo lugar. Hoje costumo dizer que não foi uma relação que deu errado, deu certo sim e muito, enquanto durou. Vai fazer parte das histórias de cada um dos envolvidos, e o melhor que seja lembrada com gratidão por todas as coisas boas que resultaram dessa união, especialmente os filhos.
Há essa altura das minhas experiências de vida já consigo entender que não existe certo ou errado ou uma única verdade. Pessoas erram sim, em seu processo de evolução, mas ninguém erra com a intenção ou sozinho. Todos procuram dar o seu melhor para um bem comum. Mesmo que seja optar pelo fim de uma relação.
мα∂α ' Outubro de 2011
Todos se compadecem do deixado e raramente percebem a dor de quem vai. Não existe como comparar, mas ambos sofrem, e me arrisco a dizer que quem deixou sofre mais, porque sofre antes. Enquanto todos acreditam que está tudo bem, quem deixa está sofrendo há muito tempo. É uma dúvida constante, são reflexões e análises internas, para tentar encontrar uma saída que não seja o rompimento e que minimizem a dor dos demais.
Existe a ilusão de que quem deixa é o que se sente melhor, mas não é. No meu caso foram quatro anos até estar certa de que a melhor saída era a separação. E isso não foi fácil nenhum dia e ainda não é.
Todos os problemas subsequentes: a dor de ver o outro e a família sofrendo, a dor da incompreensão e da desconfiança, são martirizantes.
Até decidir pela separação passei muitas noites rezando muito, eu queria muito que não chegasse ao final. Eu fui feliz e não entendia porque não era mais. O que havia mudado em mim ou no outro que havia gerado aquele estado de insatisfação e de infelicidade?
Quando se toma a decisão é porque chegou um momento que não há mais como suportar. Eu não entendia o porquê de tudo estar acontecendo tanto quanto qualquer outro. Eram os meus sonhos e meus projetos que não tinham mais sentido. Parece fútil e egoísta dizer isso. Então a gente procura várias explicações, começa a colocar defeitos no outro, em si mesmo, até se dar conta da “naturalidade” do fato: o AMOR acabou. Até porque num casamento longo como considero que o meu tenha sido, quase dezessete anos, muitos problemas foram enfrentados e vencidos e porque agora que tudo parecia bem, teve que acabar?
Então você pensa em cada momento feliz, em cada conquista, nos grupos a que você pertence, em todas as perdas que isso gera. Mesmo assim você sabe que nada pode lhe manter VIVO na relação.
Normalmente as pessoas custam para entender que não há possibilidade de manter qualquer relacionamento sem amor, apenas pelo hábito. Se alguém consegue, se nossos antepassados conseguiam, eu tiro o meu chapéu, porque é como se sentir enterrado vivo.
É um processo muito longo e triste. Existem várias etapas a serem vencidas. Primeiro pela própria tomada de decisão, onde é preciso ser forte para não ceder às chantagens e críticas e ao mesmo tempo tolerância, afinal as pessoas só querem o teu bem. Algumas vezes o outro se torna um carrasco, não teve tempo para a assimilação então fica rude e malvado, precisa culpar alguém, esse alguém é você. Faz de tudo para boicotar qualquer possibilidade que você tenha de alegria longe dele.
Segundo, você fica perdido, se afasta dos grupos a que pertencia, porque tudo que você não quer é falar sobre o assunto, afinal ele já vinha martelando na sua cabeça há tanto tempo. Você quer algo novo que te tire desse luto. E isso não precisa ser um novo amor ou aventura, mas qualquer coisa que te livre daquela rotina. Também é preciso ser forte para vencer a solidão e reagir ao estado de inanição.
Terceiro você se sente culpado por todos os problemas que surgem da sua decisão, que envolve mudanças de hábitos daqueles que dependem de você, mas que não tiveram nada a ver com a sua decisão. Mesmo sendo uma mulher independente, organizada e que sempre tomou conta de todas as finanças da casa isso se torna um peso, afinal o outro vai estar lhe boicotando também. A falta de contribuição é a primeira arma usada. Aí você precisa ter muito jogo de cintura. E você perde muito, porque acaba tirando ainda mais de si para que não falte muito para os demais.
Depois de quase três anos dando explicações e tentando “convencer” as pessoas de que o acontecido não teria volta, e de que eu não estava louca, as coisas começam a se organizar.
É preciso muita paciência, compreensão, diálogo, respeito pelos seus sentimentos e pelos dos outros, para não transformar uma história bonita com um final trágico e ainda mais doloroso.
Mais uma vez eu aprendi que nada como o tempo para colocar toda a desordem em um novo lugar. Hoje costumo dizer que não foi uma relação que deu errado, deu certo sim e muito, enquanto durou. Vai fazer parte das histórias de cada um dos envolvidos, e o melhor que seja lembrada com gratidão por todas as coisas boas que resultaram dessa união, especialmente os filhos.
Há essa altura das minhas experiências de vida já consigo entender que não existe certo ou errado ou uma única verdade. Pessoas erram sim, em seu processo de evolução, mas ninguém erra com a intenção ou sozinho. Todos procuram dar o seu melhor para um bem comum. Mesmo que seja optar pelo fim de uma relação.
мα∂α ' Outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Penso, sinto, logo existo
Nossos pensamentos são construídos a partir de nossas experiências, vivências, de tudo aquilo que percebemos através de nossos sentidos.
Cada um tem um jeito de pensar e sentir que é só seu. Só o que verdadeiramente nos pertence é o que pensamos e sentimos. Todo o resto pode nos ser tirado. Podem nos obrigar a agir, a falar, a escrever, a ir ou ficar... mas ninguém nos obriga a sentir e pensar.
Hoje estou usando este espaço para registrar e expressar minha única propriedade, meus pensamentos e de certa forma meus sentimentos.
Estive lembrando de velhas lições, velhas por serem antigas, mas não por não servirem mais, aliás, só são velhas porque são preciosas, se não fossem, não seriam lembradas por tanto tempo.
Durante toda a nossa vida vivemos buscando um sentido para ela, para a nossa existência, ninguém quer crer que estamos aqui pelo simples fato de existir. Queremos mais, ser importantes, maiores e melhores, somos gananciosos, orgulhosos. Isso tem o lado bom. Enquanto queremos ser importantes estamos tentando provar para nós mesmos alguma coisa e buscando uma evolução, ser melhor. Por outro lado deixamos de pensar que não precisamos provar nada para ninguém, nem para nós mesmos. Melhorar, evoluir é a lei da vida, que não são adquiridos com facilidade, mas que também não precisam de tanto sofrimento para alcançá-los.
Sobre a razão de estarmos aqui, já tive várias opiniões a respeito e a mais atual e duradoura foi a de que nascemos com uma missão: de nos melhorarmos, nos aprimorarmos a cada dia. Se formos bons para nós mesmos, tudo a nossa volta receberá o reflexo da nossa bondade, será bem.
Tentando encontrar um sentido para a vida são escritos vários livros e mensagens com o intuíto de animarem as pessoas a viver, algumas vezes acho isso cômico. Por que precisamos de incentivo à vida? Se ela está aí pra ser vivida, simplesmente vivida. Mas como seres humanos simples, sempre procuramos deixar as coisas complexas, porque não basta a simplicidade da vida, é preciso complicar.
Se conversarmos com pessoas idosas, veremos o quanto são simples e como de forma simples nos transmitem velhas lições. Agora já não correm tanto em busca de um sentido para a vida, talvez por estarem mais próximos do fim dela, decidem aproveitar o AGORA que é tão precioso, e que perdemos tanto remoendo e criando dores e problemas, responsabilizando os outros pelas nossas frustrações, cobrando dos outros as expectativas e ilusões que criamos sobre elas. A vida seria tão mais simples se apenas a vivêssemos, sem grandes planos para nós ou para os outros. Se pensássemos em ser bons conosco, em não sofrer por aquilo que não podemos fazer, ter ou ser.
Não quero dizer com isso que devemos ser acomodados, mas diferente disso, sermos equilibrados, não tornar as coisas maiores do que elas são. Agir sim, com simplicidade e alegria, mesmo nas maiores dificuldades. Como costumo dizer “grandes problemas e grandes dificuldades”, só experimentam pessoas grandes e fortes o suficiente para vencê-las. Mas precisamos estar conscientes de que isso faz parte da nossa evolução, se fazem necessárias para que utilizemos a simplicidade na resolução.
Minha grande lição de hoje é que nascemos para sermos felizes, mesmo com dificuldades. Para nos sentirmos assim, basta lembrarmos de agradecer ao simples fato de existir.
мα∂α' setembro/2010
Cada um tem um jeito de pensar e sentir que é só seu. Só o que verdadeiramente nos pertence é o que pensamos e sentimos. Todo o resto pode nos ser tirado. Podem nos obrigar a agir, a falar, a escrever, a ir ou ficar... mas ninguém nos obriga a sentir e pensar.
Hoje estou usando este espaço para registrar e expressar minha única propriedade, meus pensamentos e de certa forma meus sentimentos.
Estive lembrando de velhas lições, velhas por serem antigas, mas não por não servirem mais, aliás, só são velhas porque são preciosas, se não fossem, não seriam lembradas por tanto tempo.
Durante toda a nossa vida vivemos buscando um sentido para ela, para a nossa existência, ninguém quer crer que estamos aqui pelo simples fato de existir. Queremos mais, ser importantes, maiores e melhores, somos gananciosos, orgulhosos. Isso tem o lado bom. Enquanto queremos ser importantes estamos tentando provar para nós mesmos alguma coisa e buscando uma evolução, ser melhor. Por outro lado deixamos de pensar que não precisamos provar nada para ninguém, nem para nós mesmos. Melhorar, evoluir é a lei da vida, que não são adquiridos com facilidade, mas que também não precisam de tanto sofrimento para alcançá-los.
Sobre a razão de estarmos aqui, já tive várias opiniões a respeito e a mais atual e duradoura foi a de que nascemos com uma missão: de nos melhorarmos, nos aprimorarmos a cada dia. Se formos bons para nós mesmos, tudo a nossa volta receberá o reflexo da nossa bondade, será bem.
Tentando encontrar um sentido para a vida são escritos vários livros e mensagens com o intuíto de animarem as pessoas a viver, algumas vezes acho isso cômico. Por que precisamos de incentivo à vida? Se ela está aí pra ser vivida, simplesmente vivida. Mas como seres humanos simples, sempre procuramos deixar as coisas complexas, porque não basta a simplicidade da vida, é preciso complicar.
Se conversarmos com pessoas idosas, veremos o quanto são simples e como de forma simples nos transmitem velhas lições. Agora já não correm tanto em busca de um sentido para a vida, talvez por estarem mais próximos do fim dela, decidem aproveitar o AGORA que é tão precioso, e que perdemos tanto remoendo e criando dores e problemas, responsabilizando os outros pelas nossas frustrações, cobrando dos outros as expectativas e ilusões que criamos sobre elas. A vida seria tão mais simples se apenas a vivêssemos, sem grandes planos para nós ou para os outros. Se pensássemos em ser bons conosco, em não sofrer por aquilo que não podemos fazer, ter ou ser.
Não quero dizer com isso que devemos ser acomodados, mas diferente disso, sermos equilibrados, não tornar as coisas maiores do que elas são. Agir sim, com simplicidade e alegria, mesmo nas maiores dificuldades. Como costumo dizer “grandes problemas e grandes dificuldades”, só experimentam pessoas grandes e fortes o suficiente para vencê-las. Mas precisamos estar conscientes de que isso faz parte da nossa evolução, se fazem necessárias para que utilizemos a simplicidade na resolução.
Minha grande lição de hoje é que nascemos para sermos felizes, mesmo com dificuldades. Para nos sentirmos assim, basta lembrarmos de agradecer ao simples fato de existir.
мα∂α' setembro/2010
domingo, 26 de junho de 2011
Decepção
A palavra decepção sugere algo muito triste e ruim. Mas prefiro vê-la com bons olhos. Prefiro vê-la como um presente da vida para que seja possível aprender e crescer.
Quando nos decepcionamos abrimos tantos canais na nossa mente. Passamos a nos perguntar o porquê de tudo ter acontecido como aconteceu. Começamos a relembrar o princípio de tudo, nos arrependemos do feito e do não feito e assim somos capazes de ver e entender os erros e acertos.
Assisti a um filme recentemente onde a protagonista, uma mulher por volta de 30 anos e em crise, viaja para alguns países, e em um deles visita uma ruína, observa e se dá conta de que: “A ruína é um presente, a ruína é a estrada pra transformação”, e realmente é. Quando tudo está bem, quando está muito no seu lugar, não temos porque refletir, pensar, mudar. Acabamos ficando chatos, os mesmos, não buscamos outra forma de ser, pensar e agir. Agimos mecanicamente. Somente quando algo nos decepciona, nos choca, somos capazes de refletir e até mudar.
Nos tornamos melhores quando conseguimos ver que somos responsáveis por tudo, ou a maioria das coisas que nos acontecem, como costumo dizer: Fazem comigo aquilo que eu permito. De certa forma, pelas atitudes que temos com a vida e com os outros, por não nos dar valor ou dar valor demais ao outro acabamos nos frustrando, por entender as coisas como queremos e não como elas realmente são. A vida e as pessoas são claras, elas não nos enganam, nós mesmos escolhemos nos enganar, não ler nas entrelinhas e algumas vezes não queremos enxergar o que está escrito em maiúscula, preferimos nos enganar. Achamos que dessa forma estamos nos poupando.
Decepções trazem aprendizagens e as maiores são as mais dolorosas. Paulo Freire já dizia que aprender é doloroso, ninguém diga que aprender é fácil. Aprender exige muito esforço.
Só tenho que agradecer pelas decepções que tenho tido em minha vida, espero estar melhor ao passar por cada uma delas. E se não aprendi o suficiente até aqui, que venham outras. Vou chorar, vou sofrer, e mesmo que dolorosamente, vou aprender, da forma que for necessário, ou que eu tenha escolhido que seja.
мα∂α' 26/06/11
Quando nos decepcionamos abrimos tantos canais na nossa mente. Passamos a nos perguntar o porquê de tudo ter acontecido como aconteceu. Começamos a relembrar o princípio de tudo, nos arrependemos do feito e do não feito e assim somos capazes de ver e entender os erros e acertos.
Assisti a um filme recentemente onde a protagonista, uma mulher por volta de 30 anos e em crise, viaja para alguns países, e em um deles visita uma ruína, observa e se dá conta de que: “A ruína é um presente, a ruína é a estrada pra transformação”, e realmente é. Quando tudo está bem, quando está muito no seu lugar, não temos porque refletir, pensar, mudar. Acabamos ficando chatos, os mesmos, não buscamos outra forma de ser, pensar e agir. Agimos mecanicamente. Somente quando algo nos decepciona, nos choca, somos capazes de refletir e até mudar.
Nos tornamos melhores quando conseguimos ver que somos responsáveis por tudo, ou a maioria das coisas que nos acontecem, como costumo dizer: Fazem comigo aquilo que eu permito. De certa forma, pelas atitudes que temos com a vida e com os outros, por não nos dar valor ou dar valor demais ao outro acabamos nos frustrando, por entender as coisas como queremos e não como elas realmente são. A vida e as pessoas são claras, elas não nos enganam, nós mesmos escolhemos nos enganar, não ler nas entrelinhas e algumas vezes não queremos enxergar o que está escrito em maiúscula, preferimos nos enganar. Achamos que dessa forma estamos nos poupando.
Decepções trazem aprendizagens e as maiores são as mais dolorosas. Paulo Freire já dizia que aprender é doloroso, ninguém diga que aprender é fácil. Aprender exige muito esforço.
Só tenho que agradecer pelas decepções que tenho tido em minha vida, espero estar melhor ao passar por cada uma delas. E se não aprendi o suficiente até aqui, que venham outras. Vou chorar, vou sofrer, e mesmo que dolorosamente, vou aprender, da forma que for necessário, ou que eu tenha escolhido que seja.
мα∂α' 26/06/11
quarta-feira, 16 de março de 2011
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